estou cansada de esperar pelos outros
de esperar para saber o que fazer
o que comer
ou a que horas sair
estou cansada de esperar
e não conseguir que a recíproca seja verdadeira
pois eu espero pelo mundo
mas que o mundo vive muito bem sem mim
isto é um fato
que incomoda não pelo funcionamento perfeito da engrenagem
mas sim por não conseguir não me importar com a mesma
estou cansada de esperar a não espera
o momento perfeito em que o "foda-se"
reinará soberano
sem medos ou lamentos
Nessa momento volto à um outro poema no qual me refiro a mim no passado como um pombo. Acho que ainda me sinto assim... embora que não mais tão frequente. Me sinto pombo quando espero. Me sinto pombo quando não pensam no que vou sentir. Me sinto pombo quando me ignoram. Me sinto pombo quando não sou... Quando não sou a rainha da minha vida, pois, se na dos outros não passo de um mero peão, na minha eu deveria possuir até mesmo um cetro. Mas, veja bem, não me interessa sair por ai conquistando outros territórios... Me bastaria, e é o que almejo, que deixem a minha fronteira em paz. A nossa liberdade termina quando começa a do outro, mas em relação a mim muitas vezes sinto que a liberdade alheia não finda jamais. É aí, exatamente, que me sinto pombo. Desprezado, humilhando, invisível e quase ignorado. Digo quase num tom negativo pois creio que quando totalmente invisível as fronteiras ficam mais bem protegidas, ou não...
Tudo isso para tirar de mim essa revolta que cadencia meu peito. Se mudar, ainda não consigo, que pelo menos eu transforme em frases os meus não sorrisos.
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